Você sabia que até mesmo a suspeita de Covid-19 pode afetar o tratamento de doenças reumáticas, como a artrite reumatoide? Confira!

 

Texto por: Raquel Prazeres

 

Revisão e supervisão médica: Dr Breno Álvares de Faria Pereira | CRM-GO: 6128

Reumatologista e pediatra; ex-fellow researcher de reumatologia do Children’s Hospital of Philadelphia (EUA); mestre pelo IPTESP-UFG; professor assistente da Faculdade de Medicina da UFG

 

O novo coronavírus (Sars-Cov-2) foi descoberto no final de 2019; entretanto, mais de 5 milhões de pessoas já foram infectadas pela Covid-19 em todo o mundo. Mesmo em pouco tempo, a doença (Covid-19), caracterizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma pandemia, vem impactando a vida das pessoas e a economia dos mais diversos países1.

Por isso, o assunto está cada vez mais em evidência entre a população. Entre os assuntos em foco, um dos mais comentados está relacionado aos grupos de risco para a doença. Sabe-se, por exemplo, que a gravidade da doença varia conforme a idade e a existência de outras comorbidades, como hipertensão e diabetes, por exemplo1.

Há outras comorbidades, contudo, que também devem ser levadas em consideração nesse contexto. É o caso das doenças reumatológicas, como a artrite reumatoide, que afetam pessoas de todas as faixas etárias no Brasil e no mundo2. Sabendo que esses pacientes fazem uso de medicamentos imunossupressores que interferem na resposta imunológica a infecções, é necessário estar atento as suas particularidades desse grupo3.

 

O que fazer caso tenha suspeita de Covid-19?

Caso apresentem sintomas da Covid-19, como tosse persistente, febre alta ou falta de ar, os portadores de doenças reumatológicas crônicas devem entrar em contato com seu médico. Isso é importante pois o profissional levará em conta a atividade da doença e o grau de imunossupressão para saber o que fazer com relação ao seu tratamento, além de fatores como a condição clínica, a idade e a presença de outras doenças concomitantes4.

 

  • Se a doença estiver ativa e/ou o grau de imunossupressão for moderado a alto.

Quando isso ocorre5?

Considera-se como submetido a um grau de imunossupressão alto aquele paciente que faz uso de prednisona em dose maior do que 20mg ao dia, pulsoterapia com metilprednisolona, micofenolato mofetil, ciclosporina, tacrolimus, azatioprina, ou biológicos (infliximabe, etanercepte, golimumabe, certolizumabe, adalimumabe, abatacepte, tocilizumabe, ustequinumabe, belimumabe, secuquinumabe, ixequizumabe, guselcumabe), inibidores da JAK (tofacitinibe, baricitinibe, upadacitinibe).

 

Como será4?

Se o paciente trabalha com atendimento ao público, dependendo da condição clínica, o médico pode recomendar a alternativa de trabalhar em casa e auxiliá-los com documentos necessários, como atestados e relatórios quando justificados. O médico reumatologista fará, ainda, as alterações adequadas nas medicações de uso contínuo, podendo manter algumas e/ou suspender e/ou reduzir o uso de outras.

 

  • Se a doença estiver em remissão e/ou o grau de imunossupressão for leve.

Quando isso ocorre5?

Considera-se como submetido a um grau de imunossupressão leve aquele paciente que faz uso de prednisona em dose menor ou igual a 20mg por dia, ou metotrexato menor ou igual a 20mg por semana, ou leflunomida 20mg por dia, por exemplo.

 

Como será4?

O médico avaliará a condição clínica do paciente e as particularidades de sua doença reumatológica e decidirá se é possível ou não alterar o tratamento contínuo.

 

  • Se não houver imunossupressão.

Quando isso ocorre5?

Esse é o caso de pessoas com doença controlada sem medicação, ou em uso de sulfassalazina e hidroxicloroquina, mesalazina, acitretina, corticoides tópicos ou locais, por exemplo.

 

 

Como será4?

A conduta será semelhante à da população geral.

 

Referências

  • Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Organização Mundial da Saúde (OMS). Folha informativa – Covid-19 (doença causada pelo novo coronavírus) [Internet]. Acessado em: 2 jun 2020. Disponível em: <https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=6101:covid19&Itemid=875>.
  • Ministério da Saúde. Doenças reumáticas. Brasília: Ministério da Saúde; 2013.
  • Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). Informativo Covid-19: Comissão de Doenças Infecciosas – SBR [Internet]. Acessado em: 2 jun 2020. Disponível em: <https://www.reumatologia.org.br/site/wp-content/uploads/2020/03/Informativo-COVID-19-SBR.pdf>.
  • Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal do Brasil (Gediib). Atualização das recomendações para os profissionais de saúde e pacientes com doenças imunomediadas reumatológicas, dermatológicas e doenças intestinais inflamatórias frente à infecção pelo novo coronavírus (Severe Acute Respitatory Syndrome Coronavirus 2 – SARS-CoV-2) [Internet]. Acessado em: 2 jun 2020. Disponível em: <https://www.reumatologia.org.br/site/wp-content/uploads/2020/03/ATUALIZACAO-coronavirus-DIM-versao-final-15.03-2-REV.pdf>.
  • Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). COVID-19: SBR esclarece dúvidas de pacientes de doenças reumáticas [Internet]. Acessado em: 2 jun 2020. Disponível em: <https://youtu.be/t4WOw4t2jsU>.