No Dia Mundial da Artrite Reumatoide, conheça mais sobre a doença que afeta milhões de pessoas no mundo inteiro.

 

Texto por: Raquel Prazeres

 

Revisão e supervisão médica: Dr. Breno Álvares de Faria Pereira | CRM–GO: 6128

Reumatologista e pediatra; ex-fellow researcher de Reumatologia do Children’s Hospital of Philadelphia (EUA); mestre pelo IPTSP-UFG; professor assistente da Faculdade de Medicina da UFG

 

O Dia Mundial da Artrite Reumatoide (AR), comemorado no dia 12 de outubro, tem por objetivo, principalmente, promover os direitos dos pacientes na sociedade e chamar  atenção para a doença, proporcionando a conscientização. Estima-se que a AR atinja aproximadamente 0,5% a 1% da população mundial, com taxa de incidência de duas a três vezes maior em mulheres acima de 40 anos1.

Trata-se de uma doença crônica, responsável por causar dor, inchaço e rigidez constantes, além da redução da mobilidade nas articulações. Quando não tratada adequadamente e a tempo, pode levar a consequências indesejadas, como perda da capacidade para o trabalho e até dificuldades em realizar as tarefas cotidianas mais simples, como alimentar-se, vestir-se e tomar banho2.

Por sua frequência e relevância médica e social, a artrite reumatoide é uma das doenças reumatológicas inflamatórias mais importantes. Pensando nisso, trouxemos algumas informações relevantes sobre a doença com intuito de instruir, sem mitificar. Confira!

 

“Artrite reumatoide só acomete pessoas mais velhas”

MITO. Por ser uma doença autoimune, ou seja, causada por nosso próprio organismo, ela pode acometer pessoas de qualquer idade. Na forma adulta, o pico de incidência é em torno dos 40 anos1 – mas existe também a artrite reumatoide juvenil (hoje denominada “artrite idiopática juvenil”), que acomete indivíduos antes dos 16 anos de idade3.

“É uma doença sem cura”

SERÁ? Ainda não se conhece a cura definitiva para a artrite reumatoide, mas há pacientes que deixam de sentir os sintomas da doença após períodos variáveis de tratamento. Os médicos têm, na maior parte das vezes, o objetivo de fazer com que os pacientes vivam bem com a doença pois, seguindo à risca as orientações médicas, é possível ter uma vida confortável e mais próxima do comum, sem limitações ou com o mínimo delas1.

“A prevalência da AR é igual para todo mundo”

MITO. A prevalência da AR é de cerca de três mulheres para cada homem, mas essa diferença diminui com o avanço da idade e tende a se igualar após os 65 anos. Além disso, sua ocorrência já foi observada em todos os grupos étnicos e ela costuma se apresentar, sobretudo, entre a quarta e a sexta década de vida4. Pessoas com história de artrite reumatoide na família têm mais risco de desenvolver a doença5.

“Quem tem artrite reumatoide não pode se exercitar”

MITO. Ao contrário do que muita gente pensa, atividades físicas são recomendadas. A prática regular de exercícios pode, entre outros benefícios, ajudar a reduzir a  atividade da doença e auxiliar no controle do peso corporal, diminuindo, assim, a carga imposta nas articulações6.

“Portadores de AR possuem direitos especiais na sociedade”

VERDADE. Portadores de AR podem se aposentar por invalidez, dependendo do grau de limitação funcional definitiva que apresentem e se são segurados do INSS. Eles precisam estar incapacitados para o trabalho permanentemente – se assim for, o INSS pode conceder a aposentadoria e, periodicamente, solicitar avaliação pericial para constatar a permanência da invalidez para o trabalho7. Além disso, os portadores da doença que estão em dia com as constribuições previdenciárias também têm direito ao auxílio-doença. É importante ressaltar que ter a doença não basta para obter o benefício e é necessária a aprovação do órgão responsável após a avaliação médica pericial8. Existem, também, outros direitos para os pacientes com artrite reumatoide, que devem ser consultados de acordo com seu estado e município.

 

Referências:

  1. Nagayoshi BA et al. Artrite reumatoide: perfil de pacientes e sobrecarga de cuidadores. Ver Bras Geriatr Gerontol. 2018;21(1):44-52.
  2. Sociedade Catarinense de Reumatologia. A conscientização sobre a artrite reumatoide [Internet]. Acessado em: 14 ago 2020. Disponível em: <https://screumatologia.com.br/a-conscientizacao-sobre-a-artrite-reumatoide/>.
  3. Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). Artrite Idiopática Juvenil [Internet]. Acessado em: 14 ago 2020. Disponível em: <https://www.reumatologia.org.br/doencas-reumaticas/artrite-idiopatica-juvenil/>.
  4. Vaz AE et al. Perfil epidemiológico e clínico de pacientes portadores de artrite reumatoide em um hospital escola de Medicina em Goiânia, Goiás, Brasil. Medicina (Ribeirão Preto). 2013;46(2):141-153.
  5. Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). Cartilha de orientação de Artrite Reumatoide: cartilha para pacientes [Internet]. Acessado em: 14 ago 2020. Disponível em: <https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/2541198/mod_resource/content/1/Cartilha_artriteReumatoide.pdf>.
  6. Osthoff AKR, Niedermann K, Braun J et al. 2018 EULAR recommendations for physical activity in people with inflammatory arthritis and osteoarthritis. Ann Rheum Dis. 2018;77(9):1251-1260.
  7. Comissão de Reumatologia Ocupacional, Sociedade Brasileira de Reumatologia. A Previdência Social e as Enfermidades Reumáticas [Internet]. Acessado em: 14 ago 2020. Disponível em: <https://www.reumatologia.org.br/orientacoes-ao-paciente/a-previdencia-social-e-as-enfermidades-reumaticas/>.
  8. Jornal Contábil. Conheça todos os direitos das doenças reumáticas [Internet]. Acessado em: 14 ago 2020. Disponível em: <https://www.jornalcontabil.com.br/conheca-todos-os-direitos-das-doencas-reumaticas/>.