A artrite reumatoide não é uma doença silenciosa. Ela dá sinais ao aparecer (ao seu início ou à instalação) e ao se intensificar (às recidivas ou “crises”). Saiba como estar atento aos primeiros sintomas e aos fatores desencadeantes de suas crises

 

Texto por: Raquel Prazeres

 

Revisão e supervisão médica: Dr Breno Álvares de Faria Pereira | CRM-GO: 6128

Reumatologista e pediatra; ex-fellow researcher de reumatologia do Children’s Hospital of Philadelphia (EUA); mestre pelo IPTESP-UFG; professor assistente da Faculdade de Medicina da UFG

 

Atribuem-se várias causas à artrite reumatoide: predisposição genética, exposição a fatores ambientais e, possíveis infecções deflagradoras associadas. Além disso, tem sido aventado que pessoas que fumam têm maior risco de desenvolver a doença e que fatores hormonais também estariam relacionados à doença – ela ocorre três vezes mais em mulheres e pode apresentar melhora clínica durante a gestação1.

Assim, as causas da doença não estão ainda bem estabelecidas e certamente são multifatoriais2. É necessário, portanto, estar atento às manifestações dos sintomas e procurar um médico o quanto antes. A artrite reumatoide pode iniciar com apenas uma ou poucas articulações inchadas, quentes e dolorosas, geralmente acompanhada de rigidez para movimentá-las, principalmente pela manhã1.

Na maioria das vezes, a doença acomete os dois lados do corpo, principalmente as mãos, punhos e pés e pode evoluir para articulações maiores como cotovelos, ombros, tornozelos, joelhos e quadris. Em casos mais avançados, também é possível que ocorra desvios e deformidades nas articulações, que podem levar à incapacidade física para atividades do dia a dia1. O tratamento iniciado logo no começo da doença pode impedir esses cursos mais graves e incapacitantes da doença, dando, ao paciente, um grau maior de bem estar e de funcionalidade.

Além desses, existem sinais e sintomas muitas vezes inespecíficos que podem estar associados ao início e às crises da artrite reumatoide. Dentre eles, destaca-se3:

  • Anemia crônica;
  • Febre;
  • Surgimento de ínguas pelo corpo;
  • Cansaço inexplicado.

 

Crises

A artrite reumatoide é uma doença autoimune inflamatória crônica, em que a cura ocorre raramente, embora, com o tratamento adequado, seja possível o controle dos sintomas e a garantia de uma boa qualidade de vida. Desse modo, há oscilações da doença com o tempo, tendo fases em que os sintomas estão mais brandos ou ausentes e outras em que ficam mais intensos. Existem vários fatores que podem ajudar a desencadear essas crises. Conheça alguns deles4:

 

  • Estresse

Estresse, ansiedade e sintomas depressivos podem dificultar o controle dos sintomas e aumentar a dor.

 

  • Sono desregulado

Quando se está com dor, é difícil dormir e quando não dormimos o suficiente, os sintomas podem piorar. Por isso, é importante manter hábitos que visem melhorar a qualidade do sono.

 

  • Tratamento ineficaz

Apesar do uso correto das medicações, o tratamento pode não fazer o efeito esperado. Assim, é muito importante conversar com o médico para que ele avalie a necessidade de trocar o esquema terapêutico.

 

  • Falta de exercícios

A dor e a rigidez decorrentes da artrite podem ser tentadoras para ficar deitado no sofá e tornar o paciente sedentário. No entanto, com a falta de movimentos, os sintomas podem piorar! Por isso, é importante a prática regular de exercícios na medida em que a dor os possibilitem: eles ajudam a aliviar a dor e o cansaço, além de manter/incrementar a força muscular.

 

  • Excesso de peso

Estar acima do peso ideal tende a sobrecarregar as articulações já inflamadas e faz com que a dor fique mais intensa. Além disso, a obesidade pode levar a liberação de hormônios que pioram a inflamação da artrite reumatoide e os tratamentos não são tão eficazes em pessoas acima do peso.

 

  • Infecções

Tanto a doença em si quanto alguns medicamentos que fazem parte do seu tratamento fazem com que o paciente seja mais suscetível a infecções. Apesar de muito se falar que, em casos de artrite reumatoide, a imunidade tende a estar “mais alta”, ela está mais ocupada atacando o seu próprio corpo do que os microrganismos invasores. Por isso, ao menor sinal de infecção (como ocorrência de febre), procure um médico!

 

Referências: