Giane Maria Freitas da Silva, 62 anos

Giane Maria Freitas da Silva

Tomei vários anti-inflamatórios, e nenhum resolveu. Há 2 anos, comecei a ficar muito mal, passei 6 meses em Maceió na casa da minha filha e lá eu comecei a travar, fiquei com os pés inchados, os dedinhos duros, muito mal. As partes do meu corpo que mais estão prejudicadas são os pés e as mãos. Se alguém encostar no meu punho, parece que está enfiando uma agulha em mim, dói. Se eu pegar uma coisa e ela for pesada, eu a deixo cair. Quando voltei para São Paulo, procurei alguns médicos, e eles me receitavam fluoxetina e remédio para me dopar. Muitas vezes, ia para o pronto-socorro, e lá eles me aplicavam tramal e tudo o que me dopasse. Porque ninguém entendia o que deveria ser feito. Quando, há alguns meses, conheci o EncontrAR, a Priscila Torres me indicou o Dr. Thiago Bittar do Hospital das Clínicas (HC) e marquei uma consulta. Eu fui carregada até a sala, estava muito mal, não conseguia colocar os pés no chão. Ao me examinar, ele disse: “Nem preciso fazer os seus exames... claro que vamos fazer, mas a senhora é portadora de artrite reumatoide. Nós vamos iniciar o seu tratamento imediatamente e da forma mais direta possível”. Iniciei com um biológico há dois meses. Fiquei quase 8 anos sem encontrar um médico que realmente me olhasse e afirmasse que era AR. Sempre me levavam em “banho-maria”, receitavam vários tipos de anti-inflamatórios, e nunca um medicamento focado em AR. Eu era praticamente leiga no assunto, apesar de saber que meu pai teve AR e minhas tias também têm esse problema. Então, pensei: provavelmente, eu sou mais uma da família que tem AR, mas não tinha 100% de certeza. Fiquei assustada quando ele me confirmou, porque eu tinha uma esperança de que não fosse. Fiquei com muito medo, sou hipertensa e fiquei com medo dos efeitos colaterais dos remédios, mas depois me brotou uma esperança muito grande e me dispus a superar isso. Sei que AR não tem cura, mas em mim ela vai ser diferente, porque eu vou buscar essa diferença. Tomo os medicamentos corretamente. Tive muita sorte porque o médico me passou a receita e disse para eu ir ao Ambulatório do HC com todos os papéis certos e consegui os remédios sem problema nenhum. Procuro trabalhar a questão mental com terapia e ativando o meu lado místico. Decidi encarar essa situação de frente, com muita coragem e ser muito mais forte que a AR, e eu vou ser. Não posso permitir que a doença seja mais forte que a minha força – acredito nisso. Eu tiro essa força do budismo. Pratico há 30 anos e aprendi que posso superar qualquer situação. Por meio de uma oração que faço (que tem o som da vida), procuro uma resposta para me confortar. Eu vim de uma família bastante complicada, minha mãe tinha sintomas de loucura, e toda a família vinha de uma opressão muito grande. Em 1984, conheci o budismo e o mestre DasakiKieda, recém-chegado do Japão, que é meu orientador até hoje. A partir de então, descobri que tinha algo diferente nos praticantes dessa filosofia e, com o tempo, percebi que era a esperança. Então, o budismo pra mim é vitória certa. Eu fiz 3 anos da faculdade de Direito, mas devido à AR não consegui terminar o curso. Porém, ainda quero realizar o sonho de me formar, porque o Direto é a minha paixão. Eu quero fazer a minha revolução interior, que é adquirir conhecimento, e por meio dela favorecer outras pessoas. Descobri o EncontrAR pela internet e chamei o meu filho para me acompanhar no primeiro encontro. Lá eu tive uma surpresa muito grande, porque não sabia que existia um grupo tão maravilhoso. Maravilhoso porque lida com seres humanos, e todo trabalho humanista é um trabalho nobre. O grupo recebe o ser humano, ouve as suas dificuldades e direciona o paciente naquilo que ele está buscando. Eu decidi que vou fazer parte e apoiar o grupo sempre. No início, não foi fácil, mas devo muito ao meu marido (estamos casados há 42 anos) – que hoje é o meu melhor amigo. Ele sempre me apoiou em tudo. Ele é maravilhoso. Eu trabalhava com moda e confecção no interior do Estado e, com o tempo, fui parando porque não conseguia mais viajar. Temos que encarar de frente, com muita coragem, e não perder a esperança nunca.